Mares e marés, luas, luares. Vida, uma vida tão curta para compreender tão vasto infinito.
Contornando as esquinas de uma rua qualquer, tenho um vislumbre de realidade, um sopro de natureza, uma pequena flor lutando pela sua existência entre o asfalto rachado de uma humanidade perdida. E eu, aqui entorpecida, batida já pelo rio de sensações perdidas no decorrer de uma vida fundamentalmente supérflua.
Caminhos da minha existência recalcados de pedras, pelas dolorosas quedas provocados pelo apogeu de uma felicidade demasiado efémera.
Momentos, momentos de lucidez extrema. Respiração lenta e dolorida deste ser humano repleto de cicatrizes de todos os tipos. Mapas de uma vida meio louca de masoquismo inconsciente.
Faço agora uma tentativa de reflexão, procuro uma clareza que me conforte. Tudo o que me ocorre é este entorpecimento inequívoco, a temperatura morna de um corpo outrora demasiado quente que, lentamente, deixa escapar o seu calor para esta vida frígida.
E agora, que será de ti ser dormente, entre as euforias de um passado distante e a dor de um passado demasiado recente? Que sentirás a seguir?
À espera de alguma coisa, coisa essa que não sei qual é, aqui me encontro, sentada neste vácuo desconexo.
Um dia, no meio de um asfalto asfixiante, hei de florescer novamente.